Fã de Mia Couto expõe projeto que une fotografia e poesia em SP
Postagem extraída de: Folha de S.Paulo
A experiência começou com papel, tesoura e cola. Há cerca de dois
anos, a jornalista e fotógrafa Mariana Caldas, 24, escreveu à mão o
trecho de uma música que não saía de sua cabeça –”Graças a Deus, um
passarinho /Vem me acompanhar/ Cantando bem baixinho/ E eu já não me
sinto só/ Tão só, tão só”– e colou a declaração numa das fotos que tinha
feito, para dar de presente.
Gostou tanto do resultado que resolveu explorar a ideia, mas de uma
maneira mais simples, com a ajudinha do computador. Despretensiosamente,
nascia, em julho de 2011, o Tumblr “Poeme-se“, que reúne cerca de 200 fotos de Mariana acompanhadas por trechos de poemas e letras de música.
Algumas das imagens voltaram à origem analógica para integrar a
primeira exposição individual do projeto, que fica em cartaz até
quinta-feira (6) no bar Kabul, na Consolação (centro de São Paulo). Os
vinte e cinco quadros com fotos ampliadas estão à venda por R$ 80.
Criada em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Mariana mora em São Paulo
desde os 17 anos. Ela também faz quadrinhos e cartões postais com as
fotos que estão no site. O e-mail para encomendas é
queroumpoemese@gmail.com. Os quadros custam R$ 35 (pequeno -15×23), R$
45 (médio – 17×25) e R$ 65 (grande – 20×30) e os postais saem por R$ 7
cada um.
ABAIXO, LEIA ENTREVISTA COM A FOTÓGRAFA MARIANA CALDAS:
sãopaulo – Quando você fez o blog, já pensava numa exposição?
Mariana Caldas – Não, tudo aconteceu meio do nada. Uma amiga com quem já trabalhei está fazendo a produção para o Kabul e aí me mandou um e-mail propondo a exposição, há cerca de um mês. Foi uma surpresa. Eu mesma selecionei as fotos. São cerca de 25 imagens, ampliadas no formato A3.
Mariana Caldas – Não, tudo aconteceu meio do nada. Uma amiga com quem já trabalhei está fazendo a produção para o Kabul e aí me mandou um e-mail propondo a exposição, há cerca de um mês. Foi uma surpresa. Eu mesma selecionei as fotos. São cerca de 25 imagens, ampliadas no formato A3.
E o projeto, como nasceu?
Também foi de repente. Comecei a fotografar em 2010 e foi algo a que eu me entreguei totalmente. Foi uma coisa muito forte. Fiquei pensando em um jeito de mostrar isso. Um dia fiz uma colagem à mão mesmo, peguei uma foto minha e escrevi uma frase, depois colei na imagem e dei de presente. Ficou lindo, amei. Depois de duas semanas, estava em casa no domingo, sozinha, já eram 11h da noite e aí pensei: por que eu não faço isso no computador? Por que nunca tentei? Desde sempre anoto frases e já tinha muitas, fui resgatando umas coisas antigas… Aí fiz vários de uma vez.
Qual foi o primeiro?
Esse que eu dei de presente era: “Graças a Deus, um passarinho /Vem me acompanhar/ Cantando bem baixinho/ E eu já não me sinto só/ Tão só, tão só” [da música "Universo Ao Meu Redor", de Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes]. E o primeiro que eu fiz digitalmente ainda está lá no site: “O silêncio não é a ausência da fala, é o dizer-se tudo sem nenhuma palavra”, de Mia Couto.
Como você costuma unir as fotos aos poemas?
Cada um é de um jeito. Às vezes fico anos sem fazer nada com uma foto e de repente vejo uma frase e lembro dela, sabe? E tem frases que tento colocar em várias fotos e não funciona… Aí revelo um filme novo e acabo achando a foto [para a frase]. É uma coisa muito doida. Elas se escolhem, também… Mas é principalmente essa coisa de lembrar. Anoto as frases em caderninhos espalhados pela vida e aquilo fica na minha cabeça.
Existe poesia em São Paulo?
Existe muita poesia. As pessoas estão cada vez mais querendo dar amor a São Paulo e assim as coisas vão ficando mais possíveis. A gente é muito castigada aqui, é muito difícil para todo mundo, mas, ao mesmo tempo, tem muita gente incrível fazendo um monte de coisa. Essa energia está no ar de alguma forma. Isso é o mais louco.
A cidade te inspira?
Acho que sim, por tudo que a gente pode viver aqui… É um lugar onde você consegue ter experiências muito fortes. A inspiração é correr atrás do que você quer. Minhas fotos têm um pouco da coisa da cidade, mas também estão meio fora disso. Muitas são ligadas à natureza, como se fosse uma fuga desse turbilhão. É um portal que leva para outro lugar por alguns segundos.
Quais são seus autores favoritos?
Meu autor preferido é Mia Couto, sem dúvida. Ele mudou minha vida, tem o antes e o depois. Mas têm outros autores muito importantes, como Paulinho da Viola. E daqui de São Paulo gosto muito de Paulo Vanzolini.
Meu autor preferido é Mia Couto, sem dúvida. Ele mudou minha vida, tem o antes e o depois. Mas têm outros autores muito importantes, como Paulinho da Viola. E daqui de São Paulo gosto muito de Paulo Vanzolini.