
Deus, reconheço-vos
É Deus! Deus que vos
revelais pela natureza, vossa filha e nossa mãe. Reconheço-vos eu, Senhor, na
poesia da Criação, na criança que sorri. No ancião que tropeça, no mendigo que
implora, na mão que assiste, na mãe que vela, o pai que instruí, no apóstolo
que evangeliza.
Deus! Reconheço-vos eu,
Senhor, no amor da esposa, no afeto do filho, na estima da irmã, na justiça do
justo, na misericórdia do indulgente, na fé do pio, na esperança dos povos, na
caridade dos bons, na inteireza dos íntegros!
Deus! Reconheço-vos eu,
Senhor, no estro do vate, na eloqüência do orador, na inspiração do artista, na
santidade do moralista, sabedoria do filósofo, nos fogos do gênio!
Deus! Reconheço-vos eu,
Senhor, na flor dos vergéis, na relva dos vales, no Mariz dos campos, na brisa
dos prados, no perfume das campinas, no murmúrio das fontes, no rumorejo das
franças, na música dos bosques, na placidez dos lagos, na altivez dos montes, na
amplidão dos oceanos, na majestade do firmamento!
Deus! Reconheço-vos eu,
Senhor, nos lindos antélios, no íris multicolor, nas auroras polares, no
argênteo da Lua, no brilho do Sol, na fulgência das estrelas, no fulgor das
constelações!
Deus! Reconheço-vos eu,
Senhor, na formação nebulosas, na origem dos mundos, na gênese dos sóis, no
berço das humanidades; na maravilha, no esplendor, no sublime do Infinito!
Deus! Reconheço-vos eu,
Senhor, com Jesus, quando ora: “ Pai Nosso que estais nos céus...” ou com anjos,
quando cantam: “Gloria a Deus nas Alturas...”
Eurípedes Barsanulfo
Sacramento, 18 de
Janeiro de 1914