
AS MÁGOAS
As mágoas são como
ferimentos que têm de ser medicados convenientemente, pois correm o risco de se
infeccionarem e nos causar graves lesões, muitas vezes se tornando crônicos
sofrimentos a nos acompanhar pela vida afora.
As mágoas são feridas mentais
que necessitam ser desinfetadas imediatamente através da compreensão e do
controle emocional e, por algum tempo, medicadas com o unguento da tolerância e
protegidas com as ataduras do esquecimento.
Essas são as ataduras mais
eficazes para que essas feridas não se transformem em verdadeiras pústulas
de ódio que, sem dúvida alguma,
concorrerão para um inevitável comprometimento psíquico, a nos tirar toda a
saúde mental e física, estejamos nós onde estivermos, ou seja, no plano mais
material ou no verdadeiro plano, após a morte do corpo físico.
Portanto, se for difícil o
perdão, que é o mais poderoso remédio para a cicatrização rápida da mágoa,
devemos, pelo menos, utilizar o curativo do esquecimento que, apesar de mais
moroso, acabará metabolizando o salutar medicamento que Jesus nos receitou
quando disse: Perdoai setenta vezes sete vezes.
Além do mais, podemos ter
a plena certeza de que ninguém nos magoa por acaso, pois, ou temos, o que é
mais comum, enorme culpabilidade nesse acontecimento, ou, simplesmente, Deus
colocou o ofensor em nosso caminho para que pudéssemos realizar algo por ele,
esperando que entendamos que todos somos criaturas diferentes, umas mais
avançadas, outras menos avançadas, por força do
tempo vivido por nós, tempo diferente para cada Espírito, além do grau
de aproveitamento particular de cada um de nós.
E se tivermos a provável
culpabilidade, necessitamos compreender que, na verdade, estamos realizando um
grande mal a esse irmão que, se não fosse por nós, não estaria se comprometendo
com um ato de agressividade a lhe causar, também, um grande dano a si próprio.
De qualquer maneira, o
perdão, sem ostentação ou qualquer sinal de superioridade, porque perdoar deve
ser uma atitude de humildade, já é um grande instrumento de ensino, através do
próprio exemplo, que, sem dúvida alguma, em muito beneficiará o semelhante.
E esse benefício trará
enorme felicidade futura ao nosso pretenso ofensor, bem como, grande alegria
àqueles que o amam, aos Espíritos que o fizeram cruzar os nossos passos e a
Deus, que espera que todos nós, seus filhos, amados sem distinção, nos tornemos
felizes criaturas, a seu serviço no Bem.
FONTE: LIVRO PALÔ
A INOCÊNCIA DO AMOR VERDADEIRO
WILSON FRUNGILO JR.
ROMANCE ESPÍRITA
IDE EDITORA