Por que não fazes diferente?
Uma coisa
todos falam “o sofrimento vem para nos ensinar”, teoricamente deveria o
problema é que as pessoas quando estão demasiadamente felizes esquecem que um
dia elas sofreram.
O ser
humano se sente tão superior que a ideia de sofrer se torna ate absurda, se ate
para nascer dói quem dirá para viver? Assim que o bebê nasce ele sofre um dor
terrível já que seus pulmões estão a receber oxigênio pela primeira vez, o
movimento que os pulmões fazem ao inflar de oxigênio provoca uma intensa dor
não é a toa que os bebês já nascem chorando. Engana-se quem pensou que os
bebezinhos choravam de felicidade, e por falar em dor todas as mamães do mundo
dizem que “dar a luz” é uma dor insuportável, mas ao ver a carinha do bebê - um
sentimento de felicidade incrível se faz presente na mamãe. E novamente depois
da dor vem a felicidade – e assim é a vida.
O
problema é quando as pessoas esquecem do sofrimento delas, esquecem de seu
passado e agem no presente-futuro como se elas fossem o tempo todo feliz. Eu
estava conversando com minha mãe e nós falávamos de pessoas comuns do
dia-a-dia que seguem esse exemplo, no passado sofreram que nem um desgraçado
que deve ter jogado uma pedra do tridente do capeta e agora, no
presente-futuro, age de modo totalmente absolutista e ate elitista.
A palavra
absolutista e elitista tenho usado muito ultimamente, infelizmente as pessoas
agem e pensam como se no mundo existisse uma verdade absoluta, e o pior elas
agem como se elas fossem co-criadoras dessas verdades. Resultado é que elas
saem nas ruas todas trabalhadas no egoísmo e na prepotência, só a vida delas é
que importa, so a opinião delas é a verdade absoluta, a maneira como elas
pensam *para elas* se transformam em paradigmas científicos e assim vão vivendo
sem enxergar o outros - mas se limitando a ver o próprio umbigo.
Penso eu
que se alguém já sofreu na vida, foi vitima de desigualdade social, violência
ou algum sofrimento generalizado essa pessoa deveria se tornar uma ativista da
vida. A exemplo de: se eu sofri algum preconceito devo trabalhar de modo a
auxiliar outras pessoas, agindo de modo humanista, promovendo a igualdade e
pensando como a sociedade pode se moldar e como eu posso me moldar para poder
“acolher” outros indivíduos em situações de sofrimento.
Talvez
esse meu modo de pensar seja típico de quem pesquisa contexto social onde em
todos os artigos as palavras que mais se repetem são: identidade, igualdade e políticas afirmativas. Não vou fazer demagogia de esquerda (ate porque nem de
esquerda eu sou) mas quero chamar atenção para a sensibilidade que nos falta
diariamente.
Pode ser
ate clichê escrever que nos falta sensibilidade, mas percebo todos os dias como
as pessoas estão muito aquém dessa sensibilidade. Quando falo em sensibilidade
não se restringe a falar de amor, poesia, sentimentalismo mas se expande –
sensibilidade é justamente esse ativismo, quando a gente se importa com o
outro, quando a gente quer igualdade, quando compreendemos as pessoas sem impor
nossas verdades *infelizmente verdades egoístas por isso que se tornam
absolutas*, quando não agimos de modo elitista que só se preocupa com a vidinha
aparentemente perfeita que se vive.
Eu me
sinto tão, mas tão insatisfeita saber que existem pessoas que não se importam
com a dor alheia, que não tá nem aí para tanta injustiça que nós mesmo
cometemos e eu me pergunto: “Meu Deus essas pessoas não sentem um aperto no
coração?”.
As vezes
a gente diz que só dar amor quem teve amor, mas tem pessoas que recebem amor
mas um amor egoísta, um amor que se limita apenas em si e não pensa em espalhar
amor para outras pessoas. Falar de amor é tão fácil, quer escrever algo bonito?
Fale de amor. Mas quer ver algo difícil? Viva o amor.
Eu li um
livro de Edgar Morin, é um celebre pensador na área social e de educação,
alguns de seus livros são utilizados em seleção de pós-graduação no mestrado e
doutorado pelas universidades do Brasil, a exemplo do livro ‘A cabeça
bem-feita’, mesmo já tendo lido esse livro – existe um livro que Morin escreveu
e para mim é um dos melhores, é um livro simples, se chama “Amor, poesia e
sabedoria’, Morin fala de amor de uma forma emblemática e bela, porém quando eu
terminei de ler o referido livro, disse: “Como é bonito o amor! “*então
suspirei* mas logo depois refleti como temos colocado em pratica o amor. Será
que realmente sabemos amar? Será que o problema hoje do Brasil é apenas a
corrupção ou não seria também uma mistura de falta de justiça, ativismo pessoal
de cada individuo e principalmente sensibilidade?
Jéssica
Cavalcante