Por que agimos assim?
Essa semana eu estava na igreja, e o pastor
disse o seguinte, que oramos a Deus, buscamos seguir a Deus mas será que
estamos seguindo a Deus em nossas vidas? E o pastor completou falando dos
adúlteros e dos corruptos, eis o ponto principal dessa postagem.
Nas igrejas sempre, tem muitos fieis, dos
mais variados e não sabemos o que de fato cada fiel faz em seu dia-a-dia, mas
eu fico pensando. Será que ir a igreja, e ouvir toda a pregação mas chegar no
dia seguinte, e fazer tudo o que costumamos fazer irá realmente mudar a sua
vida? Pois o que adianta, ir e ficar quase 2 horas louvando a Deus se no dia
seguinte, você vai receber ou pagar propina, trair esposa, esposo e amigos ou
seja fazer tudo errado.
Se tem um momento que toca a nossa
consciência, é quando estamos na igreja a louvar a Deus, então percebemos como
somos errados, porém nunca é tarde para consertar os nossos erros. Temos que
colocar a nossa mão na consciência e analisarmos, realmente o que estamos
fazendo, se é certo aos olhos de Deus? Porque se analisarmos aos nossos olhos,
será correto, por exemplo a corrupção é correto aos olhos do corrupto, pois o
propósito dele é “se dar bem” mas e aos olhos de Deus?
Nas últimas eleições foram marcadas, pelo
sincretismo religioso e muito preconceito, o slogan de um dos políticos era “não
vote no fulano pois ele é do diabo”, e eu pensei nossa, ele acusa a pessoa, mas
que eu saiba acusar também é coisa do diabo, então ele também é do diabo se for
por isso. Esse período foi marcado por muitas ofensas religiosas, porém por
muita união também, pois muitos se uniram em um propósito pois no fim das
contas todos somos iguais.
Então eu penso, nossa sociedade é muito
diversificada, exemplo disso basta reparar no metrô de uma grande cidade, no
aeroporto, na praia ou na própria universidade. No metrô, todos estão de nível
a nível, pois em dia de rodízio de carros muitos acabam pegando o metrô, no
aeroporto se misturam várias etnias, na praia se misturam todas as classe,
gêneros e opções e na universidade pode se dizer que se engloba tudo isso. E o
que me chama muita atenção é, que nas pregações o padre, pastor ou qualquer
outro líder religioso diz que “para Deus, somos iguais” pois é, para Deus e para a constituição também a diferença que
Deus nunca falha, já a constituição falha frequentemente. Então ouvimos, essas
pregações e por que depois esquecemos desses princípios básicos de amor a Deus?
Minha mãe sempre diz, que o nosso pecado está
nos olhos pois julgamos pelos olhos, e ate então eu comecei a analisar no olhar
das pessoas e no meu também. Sabemos que discriminar verbalmente é crime, mas
discriminar mentalmente é um grandioso pecado aos olhos de Deus. Então eu
comecei a analisar como discriminamos pelo olhar, isso é tão natural, diria que
discriminar é algo instintivo, e que não
discriminar seria lutar contra a nossa natureza, contra os nossos instintos.
Pois é quase que um comportamento correspondente, ou seja não queremos olhar e
quando pensamos já estamos discriminando pelo olhar.
Nessa semana esperava minha mãe ir me buscar,
na universidade, então eu já estava cansada pois depois de muitas aulas, reuniões
com o movimento estudantil, e alem de quê, eu estava literalmente rezando pois
queria muito chegar em casa, tomar um banho e dizer “ufaa... cheguei !”, então
passa um estudante, bem excêntrico, eu como já estou acostumada a ver esse tipo
de “excentricidade”, para mim me assusto quando estou em um ambiente onde todas
as pessoa são “normais”, então eu olho mais adiante e vejo o homem, de seus 40
anos, olhando para esse estudante, como se estivesse visto uma assombração.
Realmente a excentricidade assusta e muito, as diferenças também eu por exemplo
tenho a mania, de dizer “fica com Deus”, uma vez eu disse isso para um
conhecido ateu da faculdade e ele disse “Jéssica, eu sou ateu”, então eu disse “Mas
eu não sou, por isso que falo sempre a frase fica com Deus”, outra vez sem
querer eu convidei um ateu para ir para a igreja comigo, pois me perguntaram o
que eu iria fazer no domingo e eu respondi que iria para igreja, e que eu amava
ir para a igreja, e convidei a pessoa para ir também a igreja, e a resposta foi
“eu sou ateu”. Realmente, nossos costumes faz a gente agir assim, com isso ate
é compreensível pois ninguém tem escrito na testa “eu sou ateu”, mas o olhar
diz muito.
As diferenças assustam e afastam muitas
vezes, mas o bom cristão está em não julgar as diferenças, pois se Deus diz,
que somos iguais, então um ateu é igual a mim, um excêntrico também é, e por aí
segue.
Lidar com toda a diversidade cultural e
outras, para muitos não é fácil, mas se louvamos a Deus, e dizemos que tememos
a Deus, e que amamos a ele por todas as coisas e sobre todas as coisas, então
temos que amar as criaturas de Deus também.
Por que quando olhamos Jesus, nos emocionamos
mas quando olhamos alguém “diferente” nossos olhos trata logo de discriminar?
Nossos olhos, como bem dizem é o espelho de nossas almas, e se nossos olhos
julgam e discriminam, é porque nossa alma também o faz. O defeito, não está em
nosso glóbulo ocular, e nem na natureza, por isso ser inato mas o defeito, está
em nossas almas. A maneira que olhamos nada mais é, a maneira de, como a nossa
alma senti, olha e percebi o mundo.
O mesmo olho que chora ao louvar a Deus, é o
mesmo olho que critica, julga e discrimina a criatura feita por Deus, então se
agimos assim, estamos também a discriminar todas as criaturas de Deus.
O “normal” é sempre mais agradável as nossas
vistas, mas o mundo não é “normal”. Deus não criou o mundo para ser o exemplo
de normalidade, basta reparar na diversidade da natureza, tem-se várias tipos e
espécies sejam de flores, animais, solo, oligoementos, bactérias, vírus enfim,
tudo é plurálico e bem diversificado. Então por que nós, seres humanos, que
também pertencemos a natureza teremos que ser “normal”?
A normalidade, nada mais é que esconder o
que você é de verdade, por que a sociedade impõe regras. As pessoas, não podem
irem trabalhar em um tribunal usando chinelas havainas, ou de bermuda. O
profissionalismo exige que estejamos “arrumadinhos e bem tratados”. Nos meus
primeiros dias de aula, eu colocava muita maquiagem, para esconder olheiras e
as imperfeições da pele, tudo isso porque a minha mente ainda estava na ‘normalidade
social’, ate que um dia resolvi, ir do jeito que eu quis, e eu fui sem
maquiagem, com o cabelo desajeitado e como diz a frase “cai da cama”, e eu me
senti muito bem com isso ate que pensei “nossa, como é bom esquecer um pouco de
toda essa exigência social”.
Um dia, entraremos no mercado de trabalho,
alguns irão trabalhar todo “arrumadinho”, e teremos que infelizmente agir de
acordo com as normas sociais afinal temos que nos comportar assim para
conseguir nosso “pão de cada dia”, mas por enquanto somos apenas aprendentes,
então deixa a gente se vestir do jeito que queremos, é tão confortável sair do
jeito que nossa imaginação permite.
Deus é amor e não normalidades, vamos nos
preocupar menos com esses padrões sociais, não é preciso está belo para ser
feliz, não é preciso ser rico para ser feliz, para ser feliz basta agir
naturalmente. Deus é simplicidade, ele não quer que nos enfeitemos mas se
nossos corações andam sujos, e em pecados!
Jéssica Cavalcante