Desista da Dualidade
“Eu sou assim, quero tudo e quero agora!
Uns chamam de mimada, mas eu prefiro decidida.”
Clarice Lispector
Ter
dúvidas é meramente normal, afinal quem não as tem? Escolher é pior ainda, me
lembro quando criança, eu assistia muitas novelas, principalmente as mexicanas,
afinal não tinha o que fazer então passa todas as noites brincando com minhas
bonecas, e imitando as cenas que via nas novelas. Como toda menina, eu sempre
colocava minhas bonecas para casarem, e terem casinhas, e bla bla bla, pois é
criança acredita em cada coisa, não é a toa que um dia eu acreditei em papai
Noel.
Me
lembro bem das cenas, das novelas, qual a protagonista dizia para o “galã”, que
sempre era alto, moreno, dos olhos claros e tinha um nome com sotaque
esquisito, AH! Não poderia esquecer, sempre era rico (Nossa! Novelas são tão
preconceituosas...), então a mocinha dizia ao bonitão “Decida! Ou ela ou eu?”,
quando criança eu pensava, quem será que ele irá decidir? Mas hoje, depois de
adulta, eu diria “que bobinha, é lógico que ele vai escolher as duas!”,
realmente a fase adulta estraga as crianças, por isso que eu digo que se o
mundo fosse comandado por crianças jamais teriam guerras.
A dualidade,
sempre esteve inserido em nossas vidas, essa cena da novela é mais uma
representação clássica da dualidade, ou seja sempre estamos em dúvidas. Alguns
vão dizer que dualidade são extremas, a exemplo do amor e ódio, nós somos
dualidade, nossos sentimentos assim o são, afinal ninguém ama 100% e nem odeia
completamente, ou então ninguém passa a vida toda com apenas uma emoção entrísica
em seu ser.
O problema
está quando essa dualidade atinge nossas escolhas, pois tendemos a ser
extremos, e somos confusos, ate em nossos sentimentos, queremos ter tudo ao
mesmo tempo, pode perceber como o amor e ódio se misturam, ao mesmo tempo que
amamos também odiamos, e eu ao mesmo tempo que odiamos é quando mais amamos, ou
então quando dizemos que odiamos alguém, é porque amamos duplamente, então o
ideal seria que não odiássemos ninguém. Prova disso é que perseguimos quem
odiamos, o ódio nos atrai, sempre queremos saber o que nosso “inimiguinho” fez,
ou como anda a vida de nossos “inimiguinho”, e é porque dizemos odiar, ficamos
presos aos nossos sentimentos, diria que o ódio prende muito mais que o amor.
Temos que
ser decididos em nossas vidas, a dualidade seja de sentimentos, como o amor e ódio,
sempre irão existir, assim como muitas outras dualidades que ao meu ver são bem
amplas e bem COMPLEXAS de se entender. Porém temos que tomar uma decisão em
nossas vidas, a vida é simples, igual aquela música que diz “eu quero uma casa
no campo”, mas o que complica de fato são nossas dualidades, meramente tanto
instintivas (nascemos com sentimentos) e empíricas ( a vida nos ensina a adquirir
determinados sentimentos, é bem como diz a frase “a ocasião faz o ladrão”).
Uma
coisa é certa, você tem que saber o que quer em termos gerais, seja em questões
materiais ou da simples cena “decida ou eu ou ela”, não se pode querer ter
tudo, ate porque não conseguimos tudo que queremos, apenas sentimos o que
queremos e muitas vezes o que não queremos.
Somos
mimados pois desejamos muito, queremos tanto e obtemos pouco! Queremos tudo
para já, agora e diria ONTEM, mas tem coisas que só iremos obter de fato,
apenas no AMANHÃ, isso é se obtermos, temos que nos habituar com essa
realidade. As coisas, ou seja os acontecimentos, não acontecem, não se
realizam, pelo princípio de dualidade, ou seja nada vem em duplicidade, sempre
vem aos poucos e uma coisa de cada vez, a vida não é “pague um e leve dois”,
promoção assim, só existe nos supermercados ou na esfera sentimental.
As emoções
realmente se completam e se confundem mas a vida vem, e faz questão de “separar
o joio do trigo” e ainda completa com a seguinte frase “calma, uma coisa de
cada vez!”.
Jéssica Cavalcante