Uma professora de português, na pós-graduação
em Literatura Brasileira que faço na Universidade Tecnológica Federal do
Paraná (UTFPR), disse que é comum que mães questionem os livros indicados aos
filhos, considerando-os muito complicados.
Pensei
que uma boa idéia seria perguntar delicadamente a essa mãe que outros
livros ela teria indicado durante todo aquele tempo antes de ele chegar às
aulas de Literatura.
Os
pais têm papel fundamental na formação dos novos leitores. A responsabilidade
não pode ser jogada apenas nas costas dos professores na hora de ensinar a
gostar de ler.
Eis
algumas coisas que meus pais fizeram para que eu me tornasse amigo dos
livros. Se você for pai ou mãe, espero que isso ajude.
1-)Presenteavam-me
com livros – Quase toda semana eu ganhava um livro novo. Nas datas festivas,
além de um brinquedo, eu ganhava um livro.
2-)Levavam-me às
livrarias – Nada mais divertido e
que chame mais a atenção de uma criança que a colorida seção de livros
infantis. Ainda que ela seja pequena e desorganizada, como costumam ser as de
ultimamente, para a criança tudo é grande, vasto e divertido.
3-)Levavam-me à
biblioteca - Nem todo mundo tem dinheiro para comprar livros
toda semana. Mas uma biblioteca tem uma quantidade enorme de livros à
disposição. De graça. Lembro como ontem o dia em que meu pai me acompanhou
quando fiz a minha carteirinha. Emprestei uma edição do Príncipe Valente.
4-)Associavam
esses passeios a coisas divertidas – Uma ida à
livraria ou à biblioteca era acompanhada sempre de um sorvete, uma passada na
pastelaria ou um passeio no zoológico. Não precisa ser nada muito complicado. A
leitura deve estar ligada a atividades prazerosas já que também é uma.
5-)Não tinham
preconceito quanto a gibis - As histórias em quadrinhos são
ótimas maneiras de iniciar a criança à leitura. Embora sejam uma forma de arte
diferenciada, habituam à palavra escrita.
6-)Liam
histórias para mim – Minha avó também lia histórias para mim.
Sempre que o fazia colocava seus óculos. Como eu ainda não sabia ler, um dia
roubei os seus óculos imaginando que aquilo me ajudaria a entender aquelas
letrinhas todas.
7-)Contavam
histórias para mim – Quem gosta de ouvir histórias, gosta também
de lê-las e de contá-las. Eles também me mantinham em contato com as pessoas
mais velhas da família que, por natureza, são contadores de histórias. Quando
criança, lembro de aos domingos, bem cedo, ir para cama de minha bisavó, onde ela me contava
as suas aventuras da juventude.
8-)Davam livre
acesso aos livros adultos – Eles nunca temeram que eu estragasse os
livros da biblioteca, os livros “sem figura”. De fato, estraguei alguns, mas a
minha transição dos chamados livros infantis para os adultos foi gradual e sem
pressões, no meu ritmo. O primeiro que li foi Tubarão, aquele do filme.
9-)Meu pai me
levava ao cinema – O cinema é uma das portas de entrada para a
literatura. Foi ao ver Mogli, dos estúdios Disney, que me interessei em ler o Livro da Selva,
de Rudyard Kipling.
10-)Eles liam – Meu
pai, sobretudo, lia muito. Para uma criança, o cara mais legal do mundo é o
pai. E, quando você é criança, tudo o que você quer é ser como o cara mais
legal do mundo. E o mais importante:
11-)Eles NUNCA me
obrigaram a ler – Tudo que é feito por obrigação é um saco.
Coisas feitas contra a vontade causam trauma. E, depois de um trauma, mesmo que
seja a mais prazerosa das atividades, mais tarde você vai associá-la com
sentimentos ruins e se recusar a fazê-la. Para entender melhor, apenas neste
item substitua a palavra leitura pela palavra sexo.
Fonte: Livros e Afins